Ai Solidão Solidão!
Faz bem ouvir tua voz calada! Ajusta-se à dimensão da casa e mede-se na casa inteira! Ali, vais olhando a rua os passos que são...Olhas um céu inventado És atenta e desatenta Não tens gestos coloridos..És negrume! Escuridão!
Nas paredes brancas da casa, te perfilas! Inventas imagens conturbadas com todos os dedos da mão. E todos tão desiguais! És a redoma de vidro de qua...
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Faz bem ouvir tua voz calada! Ajusta-se à dimensão da casa e mede-se na casa inteira! Ali, vais olhando a rua os passos que são...Olhas um céu inventado És atenta e desatenta Não tens gestos coloridos..És negrume! Escuridão!
Nas paredes brancas da casa, te perfilas! Inventas imagens conturbadas com todos os dedos da mão. E todos tão desiguais! És a redoma de vidro de qua...
lquer alma alheada...
Voz inventada do nada! Tua voz é SOLIDÃO!
Inventas palavras absurdas! Saturas todas as letras! Adoecem as palavras... Solidão! Suga-lhes o ódio e a raiva a inveja a compaixão o supérfluo da imagem! Desventra-as todas num grito como esse silvo aflito, parando em qualquer estação...
Liberta-as e rodopia-as! Dá-lhes guita corda e acorda o relógio do Tempo! És um mar em movimento... És a saudade no cais És um céu, bendito invento És tudo mais, muito mais! Tão só entre a multidão!...
Não te inundas de palavras. Cria-lhes diques bem altos! Lança-as em botes ou barcos nos confins desse teu mar, Solidão!
Tudo nos pode faltar! Sonhos, mistérios que são...Tudo nos pode faltar! Alargando tua imagem... Só a palavra, é que não!
Resistes à palavra e és a palavra! S O L I D Ã O... Deixa as palavras no tempo! Livres vêm Livres vão...
Faz bem sentir tua voz... És trissílabo imperfeito...Tudo afinal tens na mão neste imperfeito lugar...
Solidão! Aprende a rir...Gargalhadas de silêncio!
Tomaste conta da casa... (delírio da casa, outrora...) Chega-te um pouco p´ra lá... Deixa-me encostar em ti! Assim, não seremos tão sós... E a poesia da minha alma... Dará voz, à tua voz!
isabelmonteiro
Voz inventada do nada! Tua voz é SOLIDÃO!
Inventas palavras absurdas! Saturas todas as letras! Adoecem as palavras... Solidão! Suga-lhes o ódio e a raiva a inveja a compaixão o supérfluo da imagem! Desventra-as todas num grito como esse silvo aflito, parando em qualquer estação...
Liberta-as e rodopia-as! Dá-lhes guita corda e acorda o relógio do Tempo! És um mar em movimento... És a saudade no cais És um céu, bendito invento És tudo mais, muito mais! Tão só entre a multidão!...
Não te inundas de palavras. Cria-lhes diques bem altos! Lança-as em botes ou barcos nos confins desse teu mar, Solidão!
Tudo nos pode faltar! Sonhos, mistérios que são...Tudo nos pode faltar! Alargando tua imagem... Só a palavra, é que não!
Resistes à palavra e és a palavra! S O L I D Ã O... Deixa as palavras no tempo! Livres vêm Livres vão...
Faz bem sentir tua voz... És trissílabo imperfeito...Tudo afinal tens na mão neste imperfeito lugar...
Solidão! Aprende a rir...Gargalhadas de silêncio!
Tomaste conta da casa... (delírio da casa, outrora...) Chega-te um pouco p´ra lá... Deixa-me encostar em ti! Assim, não seremos tão sós... E a poesia da minha alma... Dará voz, à tua voz!
isabelmonteiro
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