domingo, 9 de janeiro de 2011




SILÊNCIO VIDA SOLIDÃO TEMPO MADRUGADA NOITE CHUVA MÚSICA

A saída breve. A invenção da liberdade que se escolhe.Tomar um café e soltar as palavras. Dar vida às palavras... O trajecto é curto. Pisam-se as pedras da calçada e contam-se uma a uma. Alarga-se o tempo nesta contagem sem tempo. Os saltos prendem-se nos interstícios da calçada. E pensa-se momentaneamente. O baloiço do corpo e o equilíbrio fazem o jogo do momento. Gritam os pés a dor da calçada como se morassem fora do corpo. A pressa não existe. Se saindo ou entrando nada de novo começa. O tédio prende a alma ao soalho da casa e às paredes crucificadas de quadros. Neste prédio que habito, como em quase todos os prédios, mora muita gente mas ninguém vive. A rotina diária a que não chamo vida, preenche-lhes o tempo. Despertam-se no alarido das manhãs e regressam rotineiramente cansados... Trancam-se portas e janelas. Quando se olha o exterior, enfrentam-se os verdes da paisagem e o alarido dos pardais enche a alma do seu canto. Que me encanta a mim. Para outros a rotina... A alegria ensaia um passo na direcção certa. De quem gosta de viver. Também o oxigénio banha a luz dos olhos e penetra na mente que se pretende, inteira. Por isso, todas as mnhãs, escancaro as doze janelas da casa e saltito como os pardais. E numa fuga de Back saio para a rua e enfrento os dias, que quero sempre diferentes.


Lisboa,29/12/2010

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