O outono chegou quase a roçar o inverno. A chuva cai torrencialmente e ciclicamente. Chove, depois uma aberta de esperança e logo a seguir de novo a bátega imparável...É triste viver nestas oscilações ainda que sejam donas de um clima instável. Parece que tudo se nos pega nestes momentos e a tristeza ganha um certo aconchego nas nossas almas. Apetece o desabafo triste de todas as mágoas passadas. Depois, a vontade de as mandar embora , apelando à natureza inteira para as guardar nos seus elementos mais vulneráveis. O silêncio toma conta de tudo e no baloiçar das águas do vento das nuvens o gosto perfeito da nossa solidão. E do nosso conforto.
Lancei as mágoas no rio
as mágoas não se afogaram
à tona das águas desertas
sem vento algum e sem pressas
e algas por entre escolhos
ali ficaram e boiaram...
ficou o rio nos meus olhos
Lancei as mágoas à nora
os alcatruzes pesados
de repente amordaçados
com peso de tanta dor
foram levados levados
como a alma a enterrar
mas subiram carregados...
os alcatruzes no olhar
Lancei as mágoas ao vento
nas asas paradas ficaram
estremecidas se deitaram
prontas quem sabe a ficar
soprou rijo o vento norte
que por azar e tal sorte
rodopiou e bailou
estafeta por entre molhos...
pôs o vento nos meus olhos
Tão farta de mágoas tantas
lancei-as à noite ao luar
braços erguidos num rasgo
secreto apelo de luz
num branco lenço de adeus
num trejeito fez-se o céu
escuro escuro como bréu...
E toda a noite choveu!
Lancei as mágoas no rio
as mágoas não se afogaram
à tona das águas desertas
sem vento algum e sem pressas
e algas por entre escolhos
ali ficaram e boiaram...
ficou o rio nos meus olhos
Lancei as mágoas à nora
os alcatruzes pesados
de repente amordaçados
com peso de tanta dor
foram levados levados
como a alma a enterrar
mas subiram carregados...
os alcatruzes no olhar
Lancei as mágoas ao vento
nas asas paradas ficaram
estremecidas se deitaram
prontas quem sabe a ficar
soprou rijo o vento norte
que por azar e tal sorte
rodopiou e bailou
estafeta por entre molhos...
pôs o vento nos meus olhos
Tão farta de mágoas tantas
lancei-as à noite ao luar
braços erguidos num rasgo
secreto apelo de luz
num branco lenço de adeus
num trejeito fez-se o céu
escuro escuro como bréu...
E toda a noite choveu!
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