
Hoje estive numa repartição à espera de ser atendida. Se não me tivesse vindo embora, logo que pus a cabeça a trabalhar, ainda agora lá estava!...E o que me fez vir embora mais cedo?! Não adivinham? Ora o que pode acontecer quando não há nada mais para fazer do que olharmos estupidamente uns para os outros a ver o que vai passando pela cabeça de cada um? Sofrimento raiva vontade de esmurrar o a...
r e aqueles que por detrás do balcão exibem um ar autoritário e de conforto para os que esperam... Enquanto a assistência se vai divertindo como pode... Um coçar de cabeça um piscar de olho uma tosse nervosa um rebolar na cadeira um abrir várias vezes a carteira à procura de nada um telemóvel que toca a servir de alívio momentâneo um olhar receoso um ar constrangido como se estivesse à espera da morte... Mas o pior foi o que acometeu a um circunstante! Um bocejo tão grande que até teve direito a trinados... E eis que outros chegam como uma invasão de marcianos, a "rebentar" em todas as bocas!! Uma distracção longe do alívio. Mas era um autêntico gozo, e quando me acometeu, foi como se tivesse levado uma pancada na nuca!... "E pôe-te a andar Isabel, que isto está para durar..." O bocejo... Um desconcerto completo e perfeito! Na escada rolante ainda fui atacada por outro vil bocejo de tal maneira que quase engasguei a própria escada... E, já fora daquela tormenta , aguentei o ar quente de verão como um refrigério para a alma e para a minha saude mental.
...E agora, veio-me à lembrança uma crónica que em tempos escrevi para o jornal, Correio da Manhã, e que nos meus dossiers organizados, encontrei. O título: "Bocejando" . E a propósito, lá vai...
isabelmonteiro
...E agora, veio-me à lembrança uma crónica que em tempos escrevi para o jornal, Correio da Manhã, e que nos meus dossiers organizados, encontrei. O título: "Bocejando" . E a propósito, lá vai...
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