terça-feira, 14 de agosto de 2012

                                                        ISABEL  MONTEIRO


E vai daí...É a crise!
Os portugueses sofrem amargamente e arrastam-se ao sabor da expressão quase involuntariamente saída dos recônditos da alma, onde já se impregnou, para o desabafo momentâneo: É a crise!
Refrão para um fado triste? Ou para um corridinho distraído? Tudo depende da forma como é lançada ao vento... E da forma como o senhor eco a repete. É a crise! É da crise. Léxico giriático com...
o já foi o "prontos! "até porque..." "é a vida" Desabafos recatados sem explosões de faícas raios ou coriscos! Valha-nos Santa Bárbara porque essa lá está para nos defender das grandes afrontas da natureza!.
Até já ouvi dizer, que o turista parisiense das Beiras cá do sítio, se deslocou até vòs, "pé ante pé". para espreitar a crise!... Ou para cheirar o "esturro" com que incendiou o país?! Vivendo como nunca à grande e à...francesa?! Là, sous les toits de Paris!!!
É da crise! E é com esta expressão que os portugueses como nunca, escalavrados, espezinhados e coitados vão desabafando o seu dia a dia rotineiro, trabalhando ou aguardando trabalho e todos... melhores dias. Eu, confesso, não sei bem o que me deu mas auguro algumas luzinhas de esperança. Caramba, não podemos sofrer toda a vida! Mas a questão é que, quase sem querer entrar no ritmo ordenado e castiço da expressão, por vezes e distraída, lá arremeto um...É da crise! (quando sinto os malvados euros fugirem-me por entre as mãos...)

Para terminar. Hoje, numa das salas de cinema do Centro Comercial Colombo, exibia-se o filme, "Madagáscar 3". Dava-se início à sessão. Nada de som nada de imagem nada de ripostar... Muitos dos espectadores deliciavam-se com pipocas. E, no meio daquela expectativa, entre o começar e o trincar das pipocas, os espectadores se ficaram, aguardando... Trincando as pipocas! Pois então. Só uma voz se fez ouvir. De protesto. À volta tudo silenciava, pensando e resmungando em surdina... E asim veio a resposta. Pedido de desculpas que tinha havido uma avaria técnica e pediam aos espectadores o favor de se dirigirem à bilheteira para reaverem o dinheiro. E todos aceitaram com um grande fatalismo mas com uma ordem organizada a reaver o que lhes era de direito. Mastigando as pipocas... Apenas uma voz se ergueu de revolta.
Somo um povo muito acomodado. Com vergonha de falar. Mas abençoada voz! ( a de uma familiar próxima que levava a filha que exaltava por este momento. Ver Madagáscar III). O efeito nas crianças é que devia ser terrível!

Será que Braga ainda se vê por um canudo?! E, se já não se ver? Será da crise?!...

isabelmonteiro

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