
Tema dos Pós e Contras RTP: "Ei-los que partem"
"...Corria o ano de 1957. A notícia aconteceu num dia qualquer do calendário, sentida na angústia inesperada de quem parte à descoberta do mundo com saudades no coração. Era o destino. E África fez-se cumprir nos longes que prometiam. Aos meus dias de confusão sucederam-se os da expectativa. O gosto da aventura pelo desconhecido, pela distância e a... ter de enfrentar uma vida diferente, causava-me igualmente um certo alvoroço. O mês de Agosto depressa chegou e o dia vinte e quatro de mil novecentos e cinquenta e sete, aconteceu numa manhã de perfumes quentes e de um azul resplandescente! Mas uma tristeza infinita me acompanhava ao pensar no derradeiro adeus. Pedi aos meus pais e familiares para deixarem o cais de embarque. Vi o meu pai alargar o passo, levando minha mãe para o exterior. Vi-os partir num último aceno, guardando esse sentimento de dor e de saudade. O nosso primeiro filho, o Zé de um ano apenas, ajudava a esse grande impulso às terras de além mar. As serpentinas e a música a bordo do navio eram os elos de ligação nas amarras frágeis que pouco a pouco sentia ceder.
E lá foi perdendo o Tejo o navio indiferente que seguia para cumprir a rota programada.Estávamos lançados na aventura..."
(...)
Tantos foram os que partiram ontem! Tantos são os que vão partindo hoje... Mas há um não sei quê de angústia e de apreensão nestas saídas que hoje se impõem! Porque ontem eram as famílias que partiam para iniciar uma vida já programada através de Portugal. E para um espaço que ainda nos pertencia! Hoje são os jovens qualificados que partem sozinhos à aventura a experimentar oportunidades, com raras excepções dos que já têm destino certo. E lá vão contentes... Ei-los que partem! Porque não têm lugar em Portugal!... A grande diferença.
parte do mundo
"...Corria o ano de 1957. A notícia aconteceu num dia qualquer do calendário, sentida na angústia inesperada de quem parte à descoberta do mundo com saudades no coração. Era o destino. E África fez-se cumprir nos longes que prometiam. Aos meus dias de confusão sucederam-se os da expectativa. O gosto da aventura pelo desconhecido, pela distância e a... ter de enfrentar uma vida diferente, causava-me igualmente um certo alvoroço. O mês de Agosto depressa chegou e o dia vinte e quatro de mil novecentos e cinquenta e sete, aconteceu numa manhã de perfumes quentes e de um azul resplandescente! Mas uma tristeza infinita me acompanhava ao pensar no derradeiro adeus. Pedi aos meus pais e familiares para deixarem o cais de embarque. Vi o meu pai alargar o passo, levando minha mãe para o exterior. Vi-os partir num último aceno, guardando esse sentimento de dor e de saudade. O nosso primeiro filho, o Zé de um ano apenas, ajudava a esse grande impulso às terras de além mar. As serpentinas e a música a bordo do navio eram os elos de ligação nas amarras frágeis que pouco a pouco sentia ceder.
E lá foi perdendo o Tejo o navio indiferente que seguia para cumprir a rota programada.Estávamos lançados na aventura..."
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Tantos foram os que partiram ontem! Tantos são os que vão partindo hoje... Mas há um não sei quê de angústia e de apreensão nestas saídas que hoje se impõem! Porque ontem eram as famílias que partiam para iniciar uma vida já programada através de Portugal. E para um espaço que ainda nos pertencia! Hoje são os jovens qualificados que partem sozinhos à aventura a experimentar oportunidades, com raras excepções dos que já têm destino certo. E lá vão contentes... Ei-los que partem! Porque não têm lugar em Portugal!... A grande diferença.
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