sexta-feira, 27 de julho de 2012




NOITE SEM SONO E COM TODOS OS SONHOS IMPOSSÍVEIS de cuidar o sono...








O encostar a minha cabeça no teu peito/abrigo e enlaçares-me no teu abraço meigo e terno a que me habituaste e te habituei... Correr para teus braços como se fosse sempre a primeira vez  enamorada dos teus beijos e  murmúrios  com palavras sem rosto porque refúgio era o teu corpo quando me prendias nessa saudade sempre iniciada para se alongar depois...  Com a saída e a chegada sempre a prender-se no teu vulto sombra onde no brilho dos teus olhos o céu todo inteiro me cabia... E quando a tua ausência  morosa se tornava,  o tom quente da tua voz te trazia sempre mais perto e o tempo deslizava perfeito nas  horas da separação involuntária...Sempre certa da tua chegada,  por vezes tardia, quando o serviço no Hospital te prendia mais horas, e tu, da minha, porque  as aulas se prolongavam  na  noite... Corrias então para mim fingindo eu não te ver como dois namorados, eternos namorados, apanhados em flagrante nesse jogo apetecido ...Eu, sempre da janela do dia claro, te acenando... Tu, pela noite, me aguardando.

Os anos foram passando, mas os gestos continuavam a perpetuar o grande amor existente em nós...Mais tarde o meu porto de abrigo se fixou à nossa porta...Depois à janela e às vezes no último ano das minhas aulas,tu,  por vezes, cansado, pedias desculpa por te deitares antes de eu chegar... Com que alvoroço eu metia a chave à porta com receio de te perder um só momento que fosse...

Mas ingenuamente, não me apercebia como o tempo maltrata indiferentemente e de forma intempestiva o ser humano, trazendo surpresas imprevisíveis!


Não quero rever o desgosto de te ter perdido para sempre. De o chorar ou gritar, soluçando pelo meio...Não o fiz. Só no meu silêncio o choro mais sentido... (esse o grande embargo que ficou por resolver como numa asfixia total se me prendesse a voz ...)   Saíste diferente de como entraste na minha vida... Misterioso   apaixonado  e cavalheiro   Não houve tempo para um adeus! Talvez também o não quisesse enfrentar ou aceitar...  Foste numa viagem mais longa do que habitual são as viagens com regresso...O teu regresso é a tua imagem permanente em mim...Como se nunca  tivesses partido...

A minha perda não tem limites de palavras, por isso o canto da alma que me consola e aconchega na fonte das lágrimas que escorrem bem cá do fundo deste sentir que não se explica...

Como gostava de saber-te onde (?)...  O céu não tem limites e olhando-o juntamente mesclado de tanta cor sem cor  e onde as estrelas quando brilham  vão piscando no elevado pedestal e nesse código que ninguém sabe traduzir, sinto-te mais perto... Às vezes,  pressinto-te muito mais para além, das nuvens e das estrelas,  onde  sem coordenadas nesse ilimitado espaço,  temo não te poder encontrar mais. Até um dia...Como antigamente,

...a correr para teus braços onde me envolvias com  tamanha ternura, desenhando em palavras quase imperceptíveis o universo do nosso amor e onde todas as promessas  constantes se aninhavam e se transformavam em deleite nesse que era e foi o meu único  porto de abrigo... O teu em mim

A ingenuidade deste coração que ainda pretende recordar-te, sonhando e onde os sonhos não deviam ter o direito de trair...
  Porque a chave na porta deixou de rodar há já alguns anos!

Sem comentários:

Enviar um comentário